Friday, January 18, 2008

Porque eu cresci??

Esse livro me confronta tanto..tanto
me deprime..porque cresci.


Droga ...porque foi que eu cresci? caraca..




(ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )


E arrisquei:
- Esta é a caixa. O carneiro está dentro.


Mas fiquei surpreso de ver iluminar-se a face do meu pequeno juiz:
- Era assim mesmo que eu queria! Será preciso muito capim para esse carneiro?
- Por quê?
- Porque é muito pequeno onde eu moro...
- Qualquer coisa chega. Eu te dei um carneirinho de nada!
Inclinou a cabeça sobre o desenho:
- Não é tão pequeno assim... Olha! Adormeceu...
E foi desse modo que eu travei conhecimento, um dia, com o pequeno príncipe.


"...Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá o carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...
E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância..."




Eis aqui uma de minhas divagações na hora do recreio na Escola "Casa do Estudante" em Mucuri-BA.


Cresci!

Lá vão elas, tão belas as crianças. Pequenas, serelepes, saem pro recreio no pique, com toda aquela energia própria dessa idade, tempo que agente era tão feliz. Nas mãos a lancheirinha cheia de gostosuras, ou o dinheirinho para comprar na cantina da escola o lanchinho do dia. O vendedor de sorvetes sorri ao avistar a correria dos infantes em sua direção. Sorvete, sorvete! A criançada grita varonil. Tão pequeninas as crianças, tantos sonhos, imensos planos de ser feliz. No coração o desejo de serem bombeiros, cantores, jogadoras de futebol, enfermeiros e médicas. E na mente? Pensamentos coloridos! Em suas cabecinhas maquina-se um futuro infantil toda vida. Brincadeiras, sorrisos e a mania de ir aonde forem sempre correndo. A inspetora grita austera: _ Não corram crianças! Não corram! E elas como sempre numa carreira faiscante, incendeiam meu coração de um sentimento nostálgico. Eu parei de correr, eu cresci!
Todos os dias, aqui da janela da sala em que dou aula, avisto esse cenário. É lindo ver! É como se meus olhos fotografassem aqueles momentos, um a um. Recordo a minha infância na escola, o recreio, as brincadeiras, futebol com a tampinha de refrigerante. Da janela revisito meu passado. Procuro aquelas lembranças que me deixaram um gosto bom na boca seca de minha vida adulta. Encontro aquelas que valeram a pena, aquelas que nenhuma fortuna do mundo teria me presenteado. E é tão bom recordar esses momentos de menino. Olhando as crianças na escola sinto-me feliz. Vejo nelas alegria tamanha, em cada pirueta, em cada sorriso, uma atmosfera impregnada de uma formosura singular.

Não queria ter crescido, mas cresci!

Denilson Prata

1 comment:

Immerzu said...

Oi lindo...quero ler os seus escritos, nem que seja em grego...

saudades!!!