Monday, December 18, 2006

"O Nome da Saudade"


Sempre acreditei que dentro de mim havia uma busca, de algo que nem eu sabia o que era, mas meu coração buscava “sei lá o quê” que viesse me completar, preencher um vazio na minha alma de criança e depois de adolescente.
A canção "O Nome da Saudade" foi composta parte em 1999, outra parte em 2003 e finalizei com a parceria do Pe. André Luna SCJ em 2005, um poeta da teologia e filósofo. Portanto é uma canção agonizante rs...pois demorou a nascer. Sair de mim, uma música com acordes simples e melodia sem muito movimento foi sacrificante. Mas aí está, "O Nome da Saudade".
Achei o nome genial, pois foi o André quem intitulou com muita sabedoria. Indagava-me sobre essa saudade que tinha nome, o nome de Deus! Sei que dentro de mim a certeza mais voraz é a de que minha eternidade é Deus e que vou para Ele! Esforço-me, luto e reluto pra que no fim eu seja "Totus Tuus", todo de Deus. Mas eu erro tanto. Tenho certezas dentro em mim, e mesmo diante delas, apronto, machuco-me! Viro as costas para as minhas certezas, verdades, crenças, não sou fiel a mim mesmo. Choro. Mas, sei que isso tudo faz parte dum processo. Sobretudo, é vida que se liberta a cada vacilo, a cada erro. Tal qual aquele passarinho sabe...que toma um pouco mais de cuidado pra não cair em armadilhas, porque sabe que é muito ruim estar preso numa gaiola. O canto do passarinho é triste quando está preso na gaiola! E só por um descuido de seu opressor, consegue fugir, e foge. Claro, o passarinho não quer voltar para a gaiola. Por isso, toma muito mais cuidado, pensa e repensa cada vôo e cada árvore que vai pousar, justamente para não ser pego novamente. Não quer cair nas mesmas armadilhas. É assim com você? Comigo é. Por não querer ser pego novamente, por não querer ter o canto aprisionado, preciso ter mais cautela, porque muitas são as armadilhas diante nós, e só nós sabemos quais são e que nos tornam impotentes. Portanto, esse deve ser nosso pensamento: "Meus erros são meus degraus, é meu processo de crescimento que respira ofegante. Aí, no fogo, sou provado como a prata! Para poder ser aprovado como prata pura, genuína."

E eu que sou prata? que sou Denilson Prata...êêê fogo que me molda...rs

Quanta coisa acontece em nossa vida que vai nos provando, dia após dia somos testados. Claro, para crescermos, não há dúvida. E que luta ser fiel naquilo em que se acredita. E que loucura estar aqui neste blog falando sobre essas coisas que dizem respeito somente a mim, e a Deus. rs...Pois é, nisso também vejo uma fonte de crescimento para mim e espero que sirva pra outros. É partilha de vida, de alma. Entender que todos nós temos uma questão a ser resolvida em nossa vida, um sim a ser dado, ou um não a ser gritado, chorado. Exponho e partilho pra que alguém cresça nessa partilha.
Voltando a música..rs...preciso falar de Agostinho, que foi a fonte límpida em que bebi para escrever essa canção. Li em 2005 (antes de mudar para Mucuri-Ba) um livro chamado "Um coração Inquieto" que falava sobre a história de vida desse grande pensador. Parecia que estava lendo sobre minha própria história, letra por letra. Não considero-me nem pensador e nem grande.(rs) As semelhanças com Agostinho encontravam-se em suas buscas e misérias, que eram iguais as minhas. Agostinho quando nasce, não é inserido de uma forma rápida ao Batismo, início de toda vida cristã, e somente foi batizado, porque passava por uma doença, na qual acreditavam que sua morte estava próxima, e sua mãe Mônica, queria seu batismo. Durante toda sua vida, Agostinho fugiu da verdade tão clara diante de seus olhos. Enveredou-se com seu coração inquieto em tantas aventuras, mas nenhuma delas lhes trazia paz. Agostinho nasceu em Tagaste no ano de 354, e penso que ele mesmo viveu essa intensa busca que eu vivo e que o homem moderno vive. É impressionante perceber nesta obra "Confissões", a grande atualidade que ela possui, apesar de ser escrita no séc. IV até hoje tem grande repercussão. Agostinho pensou como um homem de nosso tempo. Isso é muito impressionante e digno de reconhecimento.
Vivo essa busca do eterno, do absoluto, tenho certeza de que vou encontrar mesmo nas coisas simples, num olhar de uma criança talvez, Mesmo que tarde.
Mas nunca é tarde demais pra se entregar, nunca é tarde para amar.

Então é isso!

"No fim tudo dá certo. Se não deu certo ainda é porque não chegou o fim de tudo” (Agostinho)

"Tarde vos amei,
ó beleza tão antiga e tão nova,

Tarde vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu lá fora procurando-vos!

Disforme, lançava-me
sobre estas formosuras
que criastes.

Estáveis comigo,
e eu não estava convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existia
se não existisse em Vós.

Porém, chamastes-me
com uma voz tão forte
que rompestes a minha surdez!

Brilhastes, cintilantes, e logo
afugentastes a minha cegueira!
Exalastes perfume:
respirei-o suspirando por Vós.
Tocastes-me e ardi no desejo
de Vossa paz!" (Agostinho)

Eis aqui minha musiquinha..rrsrs..

"O Nome da Saudade"
( Denilson Prata / Pe. André Luna SCJ)

Dentro de mim existe uma espera
Dentro de mim existe uma razão
que nem a própria razão consegue compreender

Vou caminhando, buscando até o fim
quero entender o que trago dentro em mim
Tua
beleza antiga e tão nova!

Meu coração tão aventureiro
deixa o olhar se perder no infinito
Meu coração tão inquieto
busca algo que sei é maior que eu!

Vou te encontrar eu sei, vou te encontrar
o Teu amor num sorriso num olhar
Vou te encontrar eu sei tarde te amar
mas nunca é tarde demais pra se entregar


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